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A meta, o passe e o gol

Antes do começo da partida, a bola fica no meio de campo, em cada um dos dois lados existem muitos homens, vinte e dois para ser mais exato, em cada olhar uma convicção diferente, em cada pele, marcas e motivos que os trouxeram até aqui. Entre eles apenas um sentimento em comum: esperança.

A grama verde, demarcada por quatro linhas brancas, mostra os limites que os indivíduos não poderão ultrapassar para conquistar seu objetivo. Talvez os sonhos sejam maiores, e não caibam naquele espaço. Começa, então, o jogo.

A partir de agora, todos que carregavam o mesmo sentimento iniciam sua luta, alguns vão cair pelo caminho. Então, o que diferencia o vencedor no fim? Os gols? Não, a habilidade de saber organizar seus sonhos. Pernas que correm todos têm, cérebros também.

O gol é apenas a celebração de quem conseguiu superar seus medos. Afinal, quando se está de frente para o gol, existem duas possibilidades, chutar, ou tocar para quem está perto estufar as redes. Quem toca nessa hora, comemora o êxito do coadjuvante.
Já quem chuta pode errar ou marcar. Mas, que diferença isso faz? Quem fechou os olhos e colocou sua força sem medo por um objetivo maior, mesmo que tenha jogado a bola longe, hoje vai dormir, pensando no erro, sem medo de fechar os olhos.

E assim, todos os dias temos a oportunidade de sermos artilheiros e goleadores. A bola, mesmo que dura, ou cruzada de modo errado passa na frente do gol. O nosso pé se mexe, vai em direção a ela, e o medo da decepção nos faz recolhê-lo, ou até mesmo tocar de lado. É, como o jogo foi feito com 90 minutos para acertar a meta, a vida foi feita de oportunidades. Ou alguém se lembra quem deu o passe para o primeiro gol de Pelé?

Entretanto, certamente muitos se lembram do chute que ele deu do meio de campo e não entrou.

Pequenos porcos, grandes mosquitos


O mundo está horrorizado. Há uma nova gripe chegando por aí. Há pânico, possibilidades de se tornar um pandemia. E isso assusta o povo de todas as partes do mundo, inclusive nós, os brasileiros. Mesmo 90% da população não sabendo o que é uma pandemia, isso desespera muito a população, afinal, é uma pandemia!

** Só para os desinformados, como eu, pandemia é uma doença que se espalha por todo um continente ou mesmo pelo globo terrestre.

Mas, voltando ao nosso sofrimento: o que será de nós, oh Deus, depois da gripe do porco? Será que as trombetas do apocalipse finalmente soarão? É chegada aquela hora que o crente que gritava na rua falou: Jesus Voltará?

Infelizmente, acredito que ainda não é dessa vez.

A tal da gripe suína, que agora tem um nome muito requintado de A(H1N1), já está perdendo sua força. Até que matou algumas pessoas aí pelo mundo, para ser mais exato 53 em todo o planeta (dados de 10/05/09). Não deu nem tempo e nem graça de fazer aqueles shows cheios de cantores famosos para arrecadar fundos para as vítimas, ou até mesmo vender camisetas ou pulseirinhas.

A gripe foi a coisa mais sem graça dos últimos anos.

Tem outro problema aqui no nosso país que merece, há tempos, um olhar mais atento: a dengue. Sim, você está cansado de ouvir falar nela, eu sei. Mas, só no estado da Bahia, em abril de 2009, foram notificados 55.483 pacientes com a doença e a quantidade de mortes foi 47.

Só os casos em um estado brasileiro quase atingiram o que a tal da gripe matou no mundo todo. Já estou até achando que a doença da América do Norte foi inventada pelo Obama só para desviar a atenção da crise mundial. Teoria comprovada pelo fato de ter começado pelo México, os cobaias dos americanos. Brincadeira, não foi o Obama não.

Mas, que a dengue mata mais, atinge mais pessoas e dá mais custos ao nosso país isso é fato. O Brasil, logicamente, não pode se desligar dos fatos que acontecem no exterior, mas, chega de gripe. A gente tem muito mosquito aqui para se preocupar, que, apesar do tamanho, dão muito mais trabalho que uma manada de porcos gripados.

Os problemas sociais causados pela imigração desordenada

Com a onda das usinas de álcool e açúcar invadindo a região, a sociedade Votuporanguense, como um centro regional que é, corre riscos. Esse tipo de empresa têm uma demanda muito grande de funcionários, desde o plantio e corte da cana até os setores administrativos.

A nossa cidade, com 77 mil habitantes – dados do IBGE em 2007, não tem mão-de-obra suficiente para suprir todas as demandas, fazendo com que as usinas contratem os gatos, pessoas encarregadas por trazer empregados a preço de banana para fazer os serviços mais duros possíveis.

Aonde procurar por esse tipo de pessoa? No Nordeste brasileiro. Lá, as pessoas que não têm dinheiro ou estudo, para conseguir trabalhar, vêm até São Paulo, a Ilha da ilusão, tentar vencer na vida, para isso deixam por lá mulher e filhos.

Quando chegam aqui o sonho é limitado, a casa dividida, o dinheiro contado e a solidão. Eis o maior problema social da modernidade. Sozinhos no mundo, sem amor, sem sexo e sem diversão, eles invadem os locais e culturas regionais para suprir suas necessidades. Muitas vezes, diria, quase todas, a alternativa encontrada é nas drogas e na prostituição.

O entregador de pizza, M., 22 anos, disse que todas as vezes que precisa trocar dinheiro vai direto ao ponto em frente a um posto onde os travestis exercem sua função porque é lá que os canavieiros gastam seus salários. “Eles sempre têm grana, eles gastam tudo em álcool, drogas e com os travestis”, afirma M.

Mas então, qual o problema dessas pessoas invadirem os bailes, gastarem com prostituição e drogas?

Com o passar do tempo, principalmente o gasto com entorpecentes faz aumentar o comercio do tráfico na cidade. Com isso, os traficantes contratam mais jovens e pessoas para funcionarem como aviõezinhos (entregadores), ou outras funções dentro da organização. O acesso às drogas fica mais fácil, a violência cresce.

Votuporanga nunca foi uma cidade destaque pela violência, mas se nada for feito, muito pode ser perdido Não quero ser apocalíptico, mas o progresso econômico que aparentemente as usinas trazem, pode sair muito caro para a sociedade votuporanguense. Quando as pessoas não tem nada a perder, elas podem nos fazer perder.

És do Brasil, o clube mais brasileiro

O que eu sinto hoje? A garganta enroscada e a cabeça projetando imagens que antes eu queria esquecer. Ainda não fez um ano, dois de dezembro de 2007, me lembro de cada segundo da noite mal dormida que o antecedeu, e da dor que a data me trouxe. Mesmo levado para longe da minha casa por pessoas que tentavam me proteger, hoje as cicatrizes são alegrias, eternamente dentro dos nossos corações.

Nada melhor para saber que a volta por cima chegou do que uma lágrima de quem suou o ano todo tentando mudar, reconstruir a casa que um terrorista safado e inconseqüente derrubou, afinal, seu passado é uma bandeira.

O Corinthians sempre foi sofrimento, o Corinthians sempre mostrou ao mundo o que é ser brasileiro, o que é trabalhar o dia todo, não ter dinheiro, mas contar com a raça imbuída no sangue de todo povo do país, e que por obra do mundo, às vezes, cai em desgraça, entretanto, sempre altaneiro.

Quanta gente se esquece da dor cotidiana ao sonhar com um gol de placa? Isso é ruim, é uma alienação – diria o esquerdista chato, mas não, é a sobrevida dos que não se suicidam, é a respiração dos que não tem como crescer, é a alegria para os pobres, os ricos, os solitários e os auto-suficientes. O Corinthians não podia ficar na segundona, figurais entre os primeiros...

Mas também não poderia ter deixado de passar por lá. O ano de 2008 foi uma aula de como recomeçar uma vida perdida. Desde a humildade em reconhecer a derrota, de assumir que por tempo determinado não fará mais parte do rol que, até então, nunca havia deixado de ser seu, pela reflexão sobre os erros passados, até o planejamento de como retornar à vida merecida. Seu presente é uma lição.

Não. Subir para a elite não é o paraíso. Mas sim a futebolização das histórias mais lindas sobre as lutas dos brasileiros. Que, volta e meia, perdem sua esperança, o chão e não vê motivos para retomar sua vida. O Corinthians não é o campeão do século nem o milionário do ano, é a força e a raça que aquele homem chorando, olhando a TV, sentia ao ver o Timão voltar ao seu posto. Realmente, és, do Brasil, o clube mais brasileiro.

Parabéns Corinthians e obrigado pelo exemplo. Tu és o orgulho de todo o Brasil.

Massa: o rei das comparações


O esporte continua sendo um agregador e um catalisador de emoções do povo brasileiro. Domingo, dia 2, aconteceu em São Paulo e repercutiu em todo o Brasil a corrida decisiva do mundial de Fórmula 1 de 2008, com o inglês Louis Hamilton e o bauruense Felipe Massa.

Por alguns minutos, poucos, o povo brasileiro relembrou, ou até conheceu o sentimento dos anos de ouro de Ayrton Senna, conhecido por sua agressividade e ousadia no volante. Massa também se destaca nessas duas características.

O sofrimento da corrida foi digno de decisão de Copa do Mundo, como se Massa fosse uma espécie de Corinthians-Barrichello, perdeu no último minuto e por culpa de um alemão. Dúvidas circularão o episódio, já que a caída de desempenho do Timo Glock, piloto que perdeu a posição para Hamilton na última curva, foi algo assustador. O alemão virava 1m18s e na volta decisiva virou 1m44s, muita diferença.

Mas, seguindo com as comparações, uma pode ser realmente de alegrar. O Ayrton, considerado por muito, inclusive por Hamilton, o melhor piloto de todos os tempos, ganhou seu primeiro campeonato com 28 anos de idade, a mesma de Massa em 2009.

O que resta para o povo brasileiro depois da explosão que ficou guardada? Copiar a torcida do Corinthians, do Palmeiras, e de tantos outros que tiveram q esperar um ano para gritar aliviados. Ano que vem vai ser difícil segurar a ousadia do Massa.

Por que necessitamos de espetáculos macabros?


Não é preciso escrever sobre o que aconteceu em Santo André, estado de São Paulo. Quem não sabe o nome das meninas e do rapaz que as seqüestrou? Mais uma vez a mídia brasileira exagera na cobertura de um crime que não tem nada de tão catastrófico. Seqüestros, assassinatos, mortes, chacinas acontecem diariamente e em doses cavalares em nosso país. São desconhecidos atirando em desconhecidos por cinco reais, maridos matando mulheres, pais matando filhos, e, vice-versa.
Talvez poderíamos justificar tal cobertura por parte dos veículos de comunicação se considerássemos a atuação, por muitos errônea, da polícia no caso. Mas, se pararmos para refletir, policiais, que são os responsáveis pela proteção da sociedade contra a violência urbana, erram também diariamente. E não são apenas problemas de planejamento de ações. São propinas, chacinas, tráfico de influência, tudo o que nos leva à falência constante e gradativa.
Então, porque a atenção da população se fixou na frente da TV e elevou a audiência dos canais que andavam em baixa? A única razão que consigo pensar no momento e que explique o fato é que o ser humano, principalmente o povo brasileiro acostumado às novelas, não consegue desviar a atenção de assuntos que simulam o mundo que o cerca. Quem não teve uma história de amor na adolescência que parecia ser para sempre?
A habilidade do seqüestrador, a idade das meninas e a falta de jeito com que os policiais trataram o caso fizeram mais um cárcere privado, dos mais de 40 só em 2008 no estado de São Paulo, tornar-se uma novela completa, com vilão, vítimas, o mocinho atrapalhado e uma audiência de fazer qualquer Manoel Carlos invejar.
Não serei insensível de afirmar que o caso foi banal, nem de culpar as redes de televisão pela cobertura exagerada, afinal, elas vivem de audiência. O único provocador da situação, não culpado, somos nós, um povo brasileiro sentimental, que se apega fácil às pessoas, aos personagens e às situações tristes que acometem nossa sociedade. O calor humano de nosso país provoca fenômenos midiáticos como o de Eloá e da menina Isabela Nardoni.
A prova disso é as mais de 30 mil pessoas no velório de uma menina que, há uma semana atrás, era apenas mais uma moradora da grande São Paulo como outras 13 milhões.Então, penso: a mídia erra? O povo brasileiro está enganado ao dar tanta importância a um caso enquanto outras pessoas passam por situações piores?
Não. É apenas uma questão cultural. Enquanto formos brasileiros, levaremos como nossa, a dor de nossos semelhantes.

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Eric Carvalho
Jornalista e amante do jornalismo. Louco também por futebol.
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